Já vai terminando o verão, enfim.
Sentir é caminhar por outros pés.
Os meus se misturavam aos caminhos. Dedos, poeira e chão.
Os olhos só existem vistos de fora. E não há fora para olho nenhum. Não fosse em algum espelho, só poderia encontrá-los nos teus.
Os olhos são os meus, mirantes do mundo. Reflexo vago, fluxo aquático. Mudam de cor como mudam de espelho.
Estrada cheia de pássaros em silêncio. Nunca vazia e tão cheia de silêncio.
A neve é linda, e inunda meus sonhos de silêncio. Anseia pela primavera com suas cores musicais. Derrete-se em nuvens.

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